Em 2006 conheci Norma Bentes. Um daqueles encontros significativos com os quais nos identificamos. Encontros são como música afinada. Só nos encontramos com aqueles que vibram na mesma frequência que a nossa. Sendo assim, ter a oportunidade de conhecê-la, foi para mim um grande contentamento.
Na época, ela se sentia limitada, inexpressiva pela perda recente do marido. Sempre fora uma mulher de fé, mas o seu corpo não acreditava nisso. Tinha dores nos joelhos e limitações de movimento. Estava abatida pelo luto, com pernas fracas pela incerteza do caminho que tinha de seguir, agora sozinha. O coração abalado pela perda da pessoa amada dava indícios de alterações no próprio órgão cardíaco. Esses foram os pontos de partida para o nosso processo terapêutico.
Uma coisa que sempre me impressionou é a sua capacidade de se manter digna. Digo isso porque uma das dificuldades em ser mais velho é preservar a dignidade. Durante todos esses anos, trabalhando como gerontólogo e terapeuta, o meu objetivo primeiro é ajudar as pessoas a manterem ou readquirirem a própria dignidade.
Nesses três anos que passamos juntos muitos conflitos (dúvidas com relação às escolhas) foram vividos. Mesmo assim, conseguimos delimitar metas importantes. Hoje, ela é totalmente diferente. Porém, continua a ser uma mulher a necessitar de desafio a fim de manter o ritmo, a musicalidade da vida.
O que você lerá a seguir é uma reflexão feita por ela sobre o texto A Arte de Reabilitar (escrito abaixo). Como sendo uma mulher de 78 anos, e por ter atravessado muitos desertos, acredito que as palavras dela poderão ajudar na construção da sua própria história.
Espero que aprecie cada palavra.
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