20 de dezembro de 2011

Artigo de estréia no Brasil 247


O PASSADO É LEMBRANÇA; O FUTURO, ESPERANÇA; O PRESENTE, PRESENÇA. TODOS OS TEMPOS SE COMPLEMENTAM, TORNANDO-SE UM ÚNICO TEMPO, AQUELE QUE FAZ PARTE DE NÓS. O TEMPO TUDO ABARCA, ELE NÃO FLUI, ELE É.


14 de dezembro de 2011

A chuva de verão e as bolas de Natal




A chuva fina com o contraste do verde da mata parece neve de Natal. As árvores balançam ao vento e a chuva faz manobras incríveis, caindo e subindo nas rufadas de ar fresco. O cheiro de terra molhada é um maná. Todos os sons se calam e o silêncio daqui de baixo se confronta com o som das folhas lá de cima. São árvores centenárias, vivas e pulsantes. Queria saber o nome delas, mas o conhecimento me cansa nesta época. Prefiro sentir somente. Fim de ano não é para pensar demais, agora é sentir o que o vento fala, o que a sinfonia dos sapos expressa, e o que os grilos cantam. Tenho tudo isso perto de mim porque me emociono. Sempre que ouço os diversos sons da natureza me regozijo com a minha capacidade de sentir. 

Hoje eu li no livro de Anodea Judith, “Eastern body, western mind”, algo que sei ser verdade: “Temos de sentir o nosso corpo para sentirmos nossas emoções, a fim de aprender a interpretar suas mensagens”. É fundamental não nos perdermos de vista. O corpo é a maior referência que temos para nos conhecermos melhor. É importante nos abrirmos para as sensações. Com elas, no entanto, surgem emoções carregadas de lembranças. Porventura seja por isso que muitos não gostam do Natal. As emoções foram fortemente marcadas em seus corpos.

O cheiro de Natal é um convite a relembrar a esperança da criança interior. Eu não sei como as crianças hoje em dia sentem, mas lembro-me de minha criança. Quanto mais velhos ficamos, mais idades nós temos para nos fazer ser. Nada morre em nós, nem mesmo o que queremos esquecer. Não tenho nada para esquecer, isso é um ganho. Mesmo se tivesse alguma situação pela qual eu pudesse me envergonhar eu riria dela. Afinal de contas, temos de aprender a dar novos significados para a nossa história. Se o passado é somente um ponto de vista perdido nos recantos de nossas sinapses, então podemos brincar de reinventar nossa memória.

Se eu não tiver nenhuma lembrança é porque ela não tem importância. E se me recordo de algo é porque estou sendo chamado a refletir. Por que não criar novas memórias? Nosso cérebro é fantástico, ele se reinventa caso o nosso eu queira assim fazer. Por exemplo, lembro-me de não existir festa de Natal na minha casa. Meus pais não tinham muitos recursos. Eles sempre falavam que os produtos natalinos eram caros. Então, meia-noite, eles já estavam dormindo. Poderia me entristecer com isso, mas me lembro de que eu ficava sozinho na janela até meia-noite, olhando estrelas e agradecendo simplesmente por existir. Eu tinha um sentido de religação com o Cosmos muito forte. Isso me deu contorno. Hoje sei ficar sozinho, porque descobri que sou a minha melhor companhia. Se existem outras pessoas ao lado, elas se tornam os meus convidados. Aprendi a não me tornar refém dos outros. Isso quer dizer que qualquer situação que ocorra comigo sou eu mesmo quem a criou. Eu sou o personagem de minha própria história.

Apesar de o Natal não acontecer em minha casa de infância, não tenho necessidades de ter o que não tive. Aprendi a ter menos, o que foi um grande ganho. Não podemos perder o que não temos. Isso é sabedoria.
Essa reflexão é só para reforçar que tudo depende de como olhamos para o nosso tempo. Todos possuem a liberdade de escolher estar bem, buscando sentir o melhor dentro de cada experiência vivida. Mais uma vez ressalto a importância de que o que sentimos faz parte daquilo que vivemos. Se quisermos, podemos sim criar um mundo melhor para nós. Sendo assim, sempre que uma experiência surgir, seja ela boa ou ruim, somos nós a escolher como senti-la.

Nesta época é muito bom saber escolher o melhor, independentemente de termos a capacidade de comprar ou não. O fundamental é como vamos pintar a linda paisagem para o nosso Natal. 


5 de dezembro de 2011

Nada faz sentido para quem pensa

Há mil anos acontecia algo neste mundo do qual não dou conta em saber. Existiam fatos marcantes na história cujas mentes se deliciavam ou amarguravam por sentir. Nada pode ser elaborado sem ser sentido.
Não é possível racionalizar sem sentir. O sentimento está à espreita. Sempre que se pensa algo está lá o sentimento, mesmo que não consciente. Nada fica sem o sentir. Mesmo se eu quisesse entender o que se passou no dia 05 de dezembro de 1911 (não encontrei nada nesta data no Google) não saberia dizer o que de fato ocorreu. Mesmo se eu soubesse tudo seria conjectura, ou seja, maneiras de formar idealizações. O que é uma ideia? Nada mais que imagens na mente. Não é só visual, porque a mente é mais complexa do que isso, ela vislumbra a imagem de modo total. Ela imiscui várias imagens sensoriais formando algo a se tornar pensamento. Lembra-se da cena na praia quando você construía castelos de areia? Se não lembra é pelo fato de nunca ter construído um. Mas será? Pense um pouco. Se você pensar mais um pouco, poderá sentir que construiu, mesmo sem ter feito. Somos instigados a colocar imagens onde não existe. Temos uma mente criativa, que detesta lacunas. Espaços em branco são logo preenchidos. Por isso, temos justificativas para tudo. Atendo a uma pessoa que diz: “nossos bolsos estão cheios de justificativas para os nossos erros”. Concordo com ele. Assim somos todos bons.

Se pensarmos bem, para quê saber se não encontraremos respostas? Vivemos tentando sair do labirinto de nossa insignificância. Contudo, acreditamos em nosso valor. Enaltecemos a nossa incompreensão com teorias. Assim, nos sentimos mais importantes.

O que seria a compreensão senão uma maneira de criarmos um entendimento? Isso só serve para desenvolver mais teorias, ficarmos mais adestrados nas questões da vida.

Algumas vezes me sinto exausto em não acreditar mais em nada. Nada é real, só o que pretendemos que seja. A vida é um grande vazio cheio de conjectura, a qual nada significa em sua própria essência.

Nós construímos conceitos híbridos para depois nos tornarmos confusos em nossa dubiedade. Os conceitos só existem para nos dar segurança. Ninguém pode alcançar a razão senão por conveniência. Quanto menos sabemos, mais acreditamos nas estapafúrdias daqueles que nos querem convencer de suas teorias. Isso, de certo modo, nos tranquiliza, ameniza nossa ignorância.       

4 de dezembro de 2011

Você está demitido...



Semana passada eu recebi a notícia de que no próximo semestre não farei parte do corpo docente da universidade. Trabalhava na instituição há vinte e dois anos. Estou fora. Fui demitido. Isso não me deixou triste. O que me faz triste é a lacuna deixada pela saudade do hábito. Eu já sentia que o meu processo como professor estava terminando. Deixo a carreira de professor, mas continuo educador. Ser educador não se aprende, se é, não significa ter um cargo para ensinar. São coisas diferentes. Eu atendo muitas pessoas que necessitam de educação. Portanto, educação, para mim, é um processo de formação integral do humano para que ele se torne melhor. Foi assim com os meus alunos nesses anos. Sempre me interessei mais em formar pessoas melhores do que passar conteúdos. Era como um pescador que se sentava à beira do rio e contar histórias de vidas. Essas histórias ajudaram a ilustrar minhas técnicas terapêuticas, ensinar aos alunos que eles deveriam ver além do corpo doente e sofrido. Minha teoria esteve baseada na semente de que se somos boas pessoas podemos ajudar outras a serem também. Por isso, eu tenho me dedicado a ser melhor o tempo todo. De fato, a intenção é desenvolver o bem. Ser bom é ser íntegro, portanto, ser saudável.

Pois, ninguém nasce bom ou mal, somos educados a sê-lo. Assim, é importante saber que o mal é o erro, a lacuna, o que não vai bem. O que repercutirá no corpo, no palco de manifestação de nossas ações. A infinita inteligência do organismo vivo busca sempre a nos trazer de volta ao eixo, ao centro, ao meio. O sintoma é o mensageiro, o avatar que nos traz o bem. 

Já vinha sentindo que o meu processo estava no fim, para dar início a outros. Nada termina sem que haja a certeza de novos começos. Isso é aprendizado. Existe o paradoxo da autonomia que nos ensina que só somos verdadeiramente quem somos quando nos libertamos de nós mesmos. É necessário deixar ir o que acreditamos ser para experimentar a outra face de nós mesmos. Estou deixando para trás uma identidade profissional, para lançar-me em mim mesmo. Essa é a jornada do homem livre, abandonar para adquirir. Eu sou mais do que um título, eu sou uma pessoa, e, como tal, tenho de ser melhor a cada dia.

Não há escolha que não se reporte ao futuro, então a escolha está no presente dado. Não escolhemos sozinhos. A decisão da coordenação da universidade se coaduna com as minhas escolhas. Está na hora de mudar o rumo de minha história, de avançar em novos aprendizados.

Não julgo se isso é bom ou ruim, porque há tempos aprendi que devo seguir o fluxo do rio da vida, pois a fé reside em saber que terei o melhor para me desenvolver como indivíduo, aquele que não se divide. Sendo assim, ser professor ou qualquer outra coisa nada mais é do que ser dividido em várias partes. É estar fragmentado, ser doente e sofredor. Não quero optar por isso.

Neste momento estou caminhando ao som das grandes mudanças. Aguardo com tranquilidade o novo chamado, para que eu possa seguir em direção àqueles que precisam de minha educação.  

2 de dezembro de 2011

A vida é a arena de aprendizado




É importante conhecer o caminho. O chão se torna firme quando se sabe onde pisa. A vida é incerta, sem dúvida. Muitas vezes, entretanto, as pessoas relutam em acreditar que seja assim. Busca-se a segurança fora; nos seguros de vida e do carro, no plano de saúde e de aposentadoria. Não existe segurança senão dentro de nós mesmos.

Vivemos uma época de grandes medos. Esse medo nos paralisa, somos escravos dele, porque não sabemos seguir sem uma certeza de que podemos nos sentir seguros. A segurança é uma ilusão. Não podemos estar seguros em nenhum momento. Se soubermos disso, podemos nos arriscar, pois viver é correr risco. Não digo correr risco em situações perigosas, mas simplesmente viver sabendo que tudo está certo nas trilhas retas e curvas da vida. Vigie os sinais que a vida possa dar.

A vida é uma arena de aprendizado. A lição sempre chega para nos obrigar a tomar novas atitudes. O importante é prestar atenção ao nosso comportamento. Perceber se não estamos repetindo padrões antigos para permanecermos em nossa zona de conforto. Existem pessoas que sofrem porque se condicionaram a isso. Elas, inconscientemente, criam uma paisagem do infortúnio, para depois surgir uma cena no mundo material. Aqui está a nossa magia diária. Tudo ocorre de maneira a nos testar. Somos testados diariamente para podermos avançar. Caso esteja difícil, então pare e recoloque a sua carruagem em direção ao melhor caminho. Não acredite que possa melhorar ou piorar, saiba que tudo está dentro de você.  É você quem muda a direção do vento. Muitas vezes não foi você quem criou a situação, mas foi você quem consentiu, mesmo que inconscientemente, em repetir a história de alguém. A história dos pais, ou dos vizinhos ou daqueles personagens que aparecem na TV.

Viva a sua própria vida. Recuse o que não seja o melhor para você. Não aceite o convite para o medo. Acredite que a vida é o grande mestre. Caso esteja ruim, troque o seu papel de vítima e seja melhor do que isso. Mostre para si mesmo do que você é capaz.