20 de dezembro de 2011
14 de dezembro de 2011
A chuva de verão e as bolas de Natal
A chuva fina com o contraste
do verde da mata parece neve de Natal. As árvores balançam ao vento e a chuva
faz manobras incríveis, caindo e subindo nas rufadas de ar fresco. O cheiro de
terra molhada é um maná. Todos os sons se calam e o silêncio daqui de baixo se
confronta com o som das folhas lá de cima. São árvores centenárias, vivas e
pulsantes. Queria saber o nome delas, mas o conhecimento me cansa nesta época. Prefiro
sentir somente. Fim de ano não é para pensar demais, agora é sentir o que o
vento fala, o que a sinfonia dos sapos expressa, e o que os grilos cantam.
Tenho tudo isso perto de mim porque me emociono. Sempre que ouço os diversos
sons da natureza me regozijo com a minha capacidade de sentir.
Hoje eu li no
livro de Anodea Judith, “Eastern body, western mind”, algo que sei ser verdade:
“Temos de sentir o nosso corpo para sentirmos nossas emoções, a fim de aprender
a interpretar suas mensagens”. É fundamental não nos perdermos de vista. O
corpo é a maior referência que temos para nos conhecermos melhor. É importante nos
abrirmos para as sensações. Com elas, no entanto, surgem emoções carregadas de
lembranças. Porventura seja por isso que muitos não gostam do Natal. As emoções
foram fortemente marcadas em seus corpos.
O cheiro de Natal é um
convite a relembrar a esperança da criança interior. Eu não sei como as
crianças hoje em dia sentem, mas lembro-me de minha criança. Quanto mais velhos
ficamos, mais idades nós temos para nos fazer ser. Nada morre em nós, nem mesmo
o que queremos esquecer. Não tenho nada para esquecer, isso é um ganho. Mesmo se
tivesse alguma situação pela qual eu pudesse me envergonhar eu riria dela. Afinal
de contas, temos de aprender a dar novos significados para a nossa história. Se
o passado é somente um ponto de vista perdido nos recantos de nossas sinapses,
então podemos brincar de reinventar nossa memória.
Se eu não tiver nenhuma
lembrança é porque ela não tem importância. E se me recordo de algo é porque
estou sendo chamado a refletir. Por que não criar novas memórias? Nosso cérebro
é fantástico, ele se reinventa caso o nosso eu queira assim fazer. Por exemplo,
lembro-me de não existir festa de Natal na minha casa. Meus pais não tinham
muitos recursos. Eles sempre falavam que os produtos natalinos eram caros. Então,
meia-noite, eles já estavam dormindo. Poderia me entristecer com isso, mas me
lembro de que eu ficava sozinho na janela até meia-noite, olhando estrelas e
agradecendo simplesmente por existir. Eu tinha um sentido de religação com o
Cosmos muito forte. Isso me deu contorno. Hoje sei ficar sozinho, porque descobri
que sou a minha melhor companhia. Se existem outras pessoas ao lado, elas se
tornam os meus convidados. Aprendi a não me tornar refém dos outros. Isso quer
dizer que qualquer situação que ocorra comigo sou eu mesmo quem a criou. Eu sou
o personagem de minha própria história.
Apesar de o Natal não
acontecer em minha casa de infância, não tenho necessidades de ter o que não
tive. Aprendi a ter menos, o que foi um grande ganho. Não podemos perder o que
não temos. Isso é sabedoria.
Essa reflexão é só
para reforçar que tudo depende de como olhamos para o nosso tempo. Todos
possuem a liberdade de escolher estar bem, buscando sentir o melhor dentro de
cada experiência vivida. Mais uma vez ressalto a importância de que o que
sentimos faz parte daquilo que vivemos. Se quisermos, podemos sim criar um
mundo melhor para nós. Sendo assim, sempre que uma experiência surgir, seja ela
boa ou ruim, somos nós a escolher como senti-la.
Nesta época é muito
bom saber escolher o melhor, independentemente de termos a capacidade de
comprar ou não. O fundamental é como vamos pintar a linda paisagem para o nosso
Natal.
5 de dezembro de 2011
Nada faz sentido para quem pensa
Há mil anos acontecia
algo neste mundo do qual não dou conta em saber. Existiam fatos marcantes na
história cujas mentes se deliciavam ou amarguravam por sentir. Nada pode ser
elaborado sem ser sentido.
Não é possível racionalizar sem sentir. O sentimento
está à espreita. Sempre que se pensa algo está lá o sentimento, mesmo que não
consciente. Nada fica sem o sentir. Mesmo se eu quisesse entender o que se
passou no dia 05 de dezembro de 1911 (não encontrei nada nesta data no Google)
não saberia dizer o que de fato ocorreu. Mesmo se eu soubesse tudo seria
conjectura, ou seja, maneiras de formar idealizações. O que é uma ideia? Nada mais
que imagens na mente. Não é só visual, porque a mente é mais complexa do que
isso, ela vislumbra a imagem de modo total. Ela imiscui várias imagens sensoriais
formando algo a se tornar pensamento. Lembra-se da cena na praia quando você construía
castelos de areia? Se não lembra é pelo fato de nunca ter construído um. Mas será?
Pense um pouco. Se você pensar mais um pouco, poderá sentir que construiu,
mesmo sem ter feito. Somos instigados a colocar imagens onde não existe. Temos uma
mente criativa, que detesta lacunas. Espaços em branco são logo preenchidos. Por
isso, temos justificativas para tudo. Atendo a uma pessoa que diz: “nossos
bolsos estão cheios de justificativas para os nossos erros”. Concordo com ele. Assim
somos todos bons.
Se pensarmos bem, para
quê saber se não encontraremos respostas? Vivemos tentando sair do labirinto de
nossa insignificância. Contudo, acreditamos em nosso valor. Enaltecemos a nossa
incompreensão com teorias. Assim, nos sentimos mais importantes.
O que seria a
compreensão senão uma maneira de criarmos um entendimento? Isso só serve para
desenvolver mais teorias, ficarmos mais adestrados nas questões da vida.
Algumas vezes me sinto
exausto em não acreditar mais em nada. Nada é real, só o que pretendemos que
seja. A vida é um grande vazio cheio de conjectura, a qual nada significa em
sua própria essência.
Nós construímos
conceitos híbridos para depois nos tornarmos confusos em nossa dubiedade. Os conceitos
só existem para nos dar segurança. Ninguém pode alcançar a razão senão por
conveniência. Quanto menos sabemos, mais acreditamos nas estapafúrdias daqueles
que nos querem convencer de suas teorias. Isso, de certo modo, nos tranquiliza,
ameniza nossa ignorância.
4 de dezembro de 2011
Você está demitido...
Semana passada eu
recebi a notícia de que no próximo semestre não farei parte do corpo docente
da universidade. Trabalhava na instituição há vinte e dois anos. Estou fora. Fui
demitido. Isso não me deixou triste. O que me faz triste é a lacuna deixada
pela saudade do hábito. Eu já sentia que o meu processo como professor estava
terminando. Deixo a carreira de professor, mas continuo educador. Ser educador não
se aprende, se é, não significa ter um cargo para ensinar. São coisas
diferentes. Eu atendo muitas pessoas que necessitam de educação. Portanto,
educação, para mim, é um processo de formação integral do humano para que ele
se torne melhor. Foi assim com os meus alunos nesses anos. Sempre me interessei
mais em formar pessoas melhores do que passar conteúdos. Era como um pescador
que se sentava à beira do rio e contar histórias de vidas. Essas histórias
ajudaram a ilustrar minhas técnicas terapêuticas, ensinar aos alunos que
eles deveriam ver além do corpo doente e sofrido. Minha teoria esteve baseada
na semente de que se somos boas pessoas podemos ajudar outras a serem também. Por
isso, eu tenho me dedicado a ser melhor o tempo todo. De fato, a intenção é
desenvolver o bem. Ser bom é ser íntegro, portanto, ser saudável.
Pois, ninguém nasce bom ou mal, somos educados
a sê-lo. Assim, é importante saber que o mal é o erro, a lacuna, o que não vai
bem. O que repercutirá no corpo, no palco de manifestação de nossas ações. A
infinita inteligência do organismo vivo busca sempre a nos trazer de volta ao
eixo, ao centro, ao meio. O sintoma é o mensageiro, o avatar que nos traz o
bem.
Já vinha sentindo que o meu processo estava no
fim, para dar início a outros. Nada termina sem que haja a certeza de novos
começos. Isso é aprendizado. Existe o paradoxo da autonomia que nos ensina que
só somos verdadeiramente quem somos quando nos libertamos de nós mesmos. É necessário
deixar ir o que acreditamos ser para experimentar a outra face de nós mesmos. Estou
deixando para trás uma identidade profissional, para lançar-me em mim mesmo. Essa
é a jornada do homem livre, abandonar para adquirir. Eu sou mais do que um
título, eu sou uma pessoa, e, como tal, tenho de ser melhor a cada dia.
Não há escolha que não
se reporte ao futuro, então a escolha está no presente dado. Não escolhemos sozinhos.
A decisão da coordenação da universidade se coaduna com as minhas escolhas. Está na hora de mudar o rumo de minha história, de avançar em novos
aprendizados.
Não julgo se isso é bom ou ruim, porque há tempos aprendi que devo seguir o fluxo do rio da vida, pois a fé reside em saber que terei o melhor para me desenvolver como indivíduo, aquele que não se divide. Sendo assim, ser professor ou qualquer outra coisa nada mais é do que ser dividido em várias partes. É estar fragmentado, ser doente e sofredor. Não quero optar por isso.
Neste momento estou caminhando
ao som das grandes mudanças. Aguardo com tranquilidade o novo chamado, para que
eu possa seguir em direção àqueles que precisam de minha educação.
2 de dezembro de 2011
A vida é a arena de aprendizado
É importante conhecer
o caminho. O chão se torna firme quando se sabe onde pisa. A vida é incerta,
sem dúvida. Muitas vezes, entretanto, as pessoas relutam em acreditar que seja
assim. Busca-se a segurança fora; nos seguros de vida e do carro, no plano de
saúde e de aposentadoria. Não existe segurança senão dentro de nós mesmos.
Vivemos uma época de
grandes medos. Esse medo nos paralisa, somos escravos dele, porque não sabemos
seguir sem uma certeza de que podemos nos sentir seguros. A segurança é uma
ilusão. Não podemos estar seguros em nenhum momento. Se soubermos disso,
podemos nos arriscar, pois viver é correr risco. Não digo correr risco em
situações perigosas, mas simplesmente viver sabendo que tudo está certo nas
trilhas retas e curvas da vida. Vigie os sinais que a vida possa dar.
A vida é uma arena de
aprendizado. A lição sempre chega para nos obrigar a tomar novas atitudes. O
importante é prestar atenção ao nosso comportamento. Perceber se não estamos
repetindo padrões antigos para permanecermos em nossa zona de conforto.
Existem pessoas que sofrem porque se condicionaram a isso. Elas,
inconscientemente, criam uma paisagem do infortúnio, para depois surgir uma
cena no mundo material. Aqui está a nossa magia diária. Tudo ocorre de maneira a
nos testar. Somos testados diariamente para podermos avançar. Caso esteja
difícil, então pare e recoloque a sua carruagem em direção ao melhor caminho.
Não acredite que possa melhorar ou piorar, saiba que tudo está dentro de
você. É você quem muda a direção do
vento. Muitas vezes não foi você quem criou a situação, mas foi você quem
consentiu, mesmo que inconscientemente, em repetir a história de alguém. A
história dos pais, ou dos vizinhos ou daqueles personagens que aparecem na TV.
Viva a sua própria
vida. Recuse o que não seja o melhor para você. Não aceite o convite para o medo. Acredite que a vida é o grande mestre. Caso esteja ruim, troque o seu papel de vítima e seja melhor do que isso. Mostre para si mesmo
do que você é capaz.
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